domingo, 22 de abril de 2012

Rei e Rainha





            O sujeito estava usando um blazer. Não, nada no mundo justifica isso. Era verão, era uma festa, dessas de universitários descompromissados, era uma ocasião informal, era Rio de Janeiro, não São Paulo. Não, nada no mundo justifica isso. Pensar que ele havia ido até lá para vê-la, testá-la, provocá-la, também não o alivia. Com ou sem casaca, o fato é que nenhum dos dois podia prever a reação que teriam ao se reencontrarem.


Eles eram um casal naquele estágio, após alguns términos e recaídas cada vez menos impetuosas, cada vez mais caídas, quando nunca sabiam se estavam juntos ou não. Quando nunca sabiam se queriam estar juntos ou não. Imaginar um relacionamento como um jogo é uma metáfora pobre e destitui de charme o misterioso conjunto de sensações que são comumente interpretadas como amor, em contrapartida, fora dessa comparação é difícil encontrar parâmetros e elementos analíticos a fim de perceber, com alguma clareza, as pequenas insanidades que nos movem. Aquele blazer era fruto de um delírio, de uma atitude patológica com a intenção de afastar a moça, deixando uma marca de arrogância no fim das coisas. Essas loucuras comportamentais ela não mais poderia tolerar, talvez por não mais compreender, talvez por não mais compartilhar a mesma linguagem de seu par.


Ele passou o dia inteiro no trabalho pensando se deveria continuar. Atrás da mesa, fingia estar ali, fingia ler o que lhe entregavam, fingia dizer as palavras que dizia, fingia acreditar nas ordens que dava, fingia, fingia, fingia. Fingia até mesmo ser quem ele gostava de ser, assim, no cotidiano. Dissimulava suas dúvidas em olhares atravessados. Relia o e-mail dela. Por que continuar com ela? Por que continuar com esse tipo (miserável) de vida? Acredito que foi entre tais pensamentos que a idéia do blazer surgiu: uma armadura, uma peça que o qualificaria, como alguém superior. Ah, sim... ele sempre pareceu ser alguém com especial necessidade de afirmar algum tipo de superioridade.


Sem dúvidas o blazer o distinguia dos outros homens da sua idade naquela festa, dos outros homens que estavam ali simplesmente para beber e atuar em investidas sexuais despretensiosas, os outros homens que, ali, não precisavam demonstrar o quão homens eram de fato. O blazer entrou no salão antes do dono, antes de se saber quem era, sabia-se que havia alguém de blazer. O blazer entrou no salão e caminhou, obstinado a ignorar a presença dela, que só vestia preto. Em uma atitude desconcertada, ela segurou sua manga e buscou seus olhos. O silêncio de deus. A festa girava e seguia ao redor deles, como se nada estivesse acontecendo, como se ali, na quietude daqueles segundos, entre o blazer e o preto, não estivesse acontecendo uma pequena tragédia doméstica, uma hecatombe em miniatura, como se não houvesse nada de errado naquele olhar bruto. A festa girava e seguia ao redor deles, como uma moldura bizarra, destoante.


Ela havia enviado um e-mail. Ela esperava a recíproca, de alguma maneira. Não arriscaria, não mais. Ela era daquele tipo que já sentiu as pequenas insanidades, que já se deixou levar, que já cagou para tudo, que já se importou demais. Não fazia sentido continuar, se expor, falar de amor, tentar fazer com que desse certo. Nada fora da recíproca diária, fora do horizonte de expectativas que ele se dava ao luxo de dar a ela, nada. Um e-mail sim, ele deveria saber que ela ainda gostava dele, nada mais. Nada mais era o que ela queria que ele soubesse. Ela passou o dia inteiro no trabalho pensando se deveria continuar. Pensando se haveria uma resposta, se valeria a pena. Pensando que caso ele não respondesse ela sairia com os amigos e foda-se. Pensando que nessas horas o mais saudável é pensar que foda-se.


Agonia. Como uma pontada em algum lugar do corpo, até então desconhecido. Insuportáveis goteiras no cérebro. Suspiros abafados. Ele e ela, rei e rainha, passaram o dia assim, sem saber ao certo porquê, sem conseguir investigar as ondas de desconforto que passavam por dentro e por fora. Ele respondeu, disse que ficaria em casa, fazendo sabe-se lá o que. Ela respondeu, disse que ficaria em casa, fazendo sabe-se lá o que. Pronto, ficariam em casa, confusos, sem conseguir reatar de vez, sem conseguir sumir de vez.


Ela decide sair com os amigos, ir a uma festa para fazer uso do foda-se e não pensar em mais nada, para anestesiar a agonia de suas incertezas. Ele decide que precisa provar ao mundo que é um homem importante e imponente, pega o blazer que figurou em seus devaneios e sai. Encontrou um amigo que comentou sobre a tal festa de universitários descompromissados, um amigo que comentou que ela provavelmente estaria lá, com os melhor amigos para sempre, um amigo que comentou que ele estava muito bonito e elegante com aquele blazer, um amigo que comentou que ele faria um tremendo sucesso vestido daquele jeito tão elegante, um amigo que comentou que ele poderia fazer uma surpresa a ela.


Pode não parecer, mas a maioria das coisas termina tal qual começa. Aquele silêncio, aquele olhar de quem quer conhecer o outro que já não conhece mais, a timidez que impede as primeiras ou últimas palavras, a incompreensão diante de algo incognoscível, o frio na barriga gerado pela eterna dúvida de estar fazendo a coisa certa, de estar fazendo merda.

Cigana Boliviana


Lembro de cada segundo daquele dia. Desci para comprar vícios. Tinha um muro de homens no deposito de bebidas que fica ao lado do prédio, o que me faz pensar que aquilo são cinco metros quadrados de Lapa, em plena zona norte carioca. Uma cigana com cara de boliviana falava sobre casamento com eles. Aquela cena me pareceu impossível: homens brutos e curiosos acerca de futuros enlaces. Homens brutos que recorriam àquela figura colorida em cetins mil, pulseiras meio douradas meio amarronzadas, pele bronzeada, sorriso-malícia e mãos estendidas pedindo moedas em troca de revelações do porvir.
Porque o dia começou com um cd da Roberta Sá havia uma notinha musical em cada girar do meu calcanhar, em cada pedrinha portuguesa aqui onde sempre é setembro. Isso de caminhar por aí, com uma melodia qualquer gotejando na cabeça, fazendo com que as pontas dos dedos se movimentem discretamente, dá um rebolado à pessoa, um ar de quem não tá nem aí, de quem não quer nem saber, de quem é marginal. Parei para ler as manchetes pregadas na banca de jornal. O criador da maçã morreu, os estudantes continuam sua luta muito digna em Santiago do Chile, a polícia de Sergio Cabral e Eduardo Paes agora revista crianças, os gastos com a reforma do Maracanã continuam um mistério por deus não revelado, as pessoas continuam morrendo na África como uma ventania descontrolada, estadunidenses protestam contra a crise. Penso que tivesse eu um Ipod (cabe a homenagem póstuma ao geek) estaria ouvindo Calle 13.

Comprei um maço de cigarros em condolência ao mundo que vai morrendo aos poucos também, com pouca dignidade também. Tivesse eu menos de trinta anos certamente teria sentido alguma revolta com essa falta de caráter que envolve a gente assim, como um cobertor de mendigo em dia de verão. Ia, então, seguindo uma existência apática, de quem acha que já viveu de tudo; sigo a passos lentos com Chopin, um cotidiano medíocre, um emprego medíocre, um namorado medíocre, um pessimismo que não passa. Mas não tinha problema. Era só não bagunçar muito. Era só não pensar muito. Sempre achei que de nada adianta saber o que as pessoas estão fazendo, sentindo, pensando em lugares onde nunca estarei. Eu hein.
Voltei pela rua desviando dos carros lá está a cigana que então parecia uma índia muito mística muito latina muito venezuelana peruana boliviana quase pude distinguir um sotaque forçado ao fundo dos olhos quando paro a mão presa. Ela segurou meu pulso assim que atravessei o sinal, assim que desviei o olhar, assim que engatei uma rebolada para apressar o passo, assim que achei que ela não passava de uma imigrante ilegal.
Sim, vi a cigana venezuelana e tive preconceito porque achei que ela queria me dizer qualquer coisa em troca de uns trocados. Desviei o olhar porque achei a cara dela feia, com aqueles dentes a menos, com aquele aspecto sujo. Aquilo era uma aberração. Aquela mulher, aquela alienígena, parada na encruzilhada me olhando fixamente, segurando minha mão, me violentando com uma cultura que eu desprezo, invadindo meu caminhar. Absurdo. A impressão que eu tive, naqueles segundos de silêncio, era de que ela, a qualquer momento, ia se fundir a mim, me corromper. A coisa estava insuportável; eu estava imóvel. Acreditava que alguém se daria conta daquilo e me salvaria. Alguém, os homens brutos do depósito, a velhinha carola que nos tangenciou e aguardava o sinal abrir, o moleque com uniforme de escola pública que passou correndo, o PM que estava sentado ao lado do guardador de carros que na verdade era bicheiro, alguém tinha que resolver aquele conflito mudo.
“Fíca com medo não. Falha o que estás pennnsando”
Sempre achei o badalar de sinos das seis da tarde uma coisa meio agourenta, mística. Eles soaram, vindos de uma igreja que tem perto do número 21 e que eu nuca vi na vida, exatamente quando ela terminou de dizer aquelas palavras, bem devagar. Soltou minha mão e me prendeu com os olhos, à espera da resposta. Eu ri e muito sem jeito ofereci um cigarro, porque eu posso ser preconceituosa, mas não sou mal educada. Acendemos, e ela repetiu, mais ansiosa.
“Fíca com medo não. Faaaalha o que estás pennnsando!”
“Não tenho nada pra dizer.”
“Tem shim.”
“Me deixa ir.”
“Ainda não.”
Com olhos embotados vidrados viscerais esquadrinhou a mão que pegou de novo mexendo nas moedas pregadas ao véu balançando pulseiras vagabundas e tudo em volta muro de homens brutos PM a pasmar sinal fechado tudo parecia pertencer a uma realidade paralela e eu também e ela também éramos tudo e todos do mesmo mundo outro diferente do habitual enquanto ela murmurava coisas que eu não queria entender. Então comecei a ouvir e entender as coisas inúteis que ela dizia. Havia um mar, uma sereia e eu deveria conversar com a sereia, deveria pedir conselhos, deveria mudar de cidade, de nome, de vida. Deveria começar uma vida nova, encontrar um homem novo. Deveria não me preocupar, porque tudo estava arranjado, e Destino a tinha enviado para que eu não me assustasse quando a roda começasse a girar. Ri mais um pouco, menos sem jeito. Entreguei a ela o troco do cigarro, subi as escadas feito atleta e abri a porta de casa à espera de um circo, de uma assombrosa profusão de joaninhas dançando perto do pé direito, de uma lagarta viciada, qualquer coisa que desse sentido às palavras surreais da cigana boliviana.
Naturalmente, tudo estava em perfeita ordem. Confesso que fiquei um pouco frustrada... ninguém lê o horóscopo diário sem ao menos cogitar uma possível verdade, ou verossimilhança. Nada de extraordinário, até três dias após a insólita entrevista, quando acordei de manhã e todos os meus sapatos tinham desaparecido. Procurei pela casa toda e nem sinal, nem chinelo. Liguei para a polícia que me mandou ir à merda, depois de ter-me feito esperar duas horas sendo encaminhada a vários departamentos. Comprei uma sandália pela internet alguns minutos antes de ler o e-mail que meu namorado enviou. Ele, agora ela, agora Sandra, roubou meus sapatos para vende-los em uma feira alternativa em Santa Teresa e comprar uma passagem para Macaé, onde moraria com seu novo amor, Michaela (seria ele, ou ela?).
A sandália chegou no dia seguinte e me encontrou tentando encontrar minha carteira, lutando contra o sangue que persistia correr em mim, a despeito de toda aquela vodka, ingerida nas últimas 27 horas. Como a carteira não atendia aos meus chamados estridentes, abria a caixa: era um calçado horroroso, com “as cores do verão”. Imediatamente comecei a chorar, a pensar na cigana peruana que certamente havia me rogado uma praga. Acordei no meu sofá e o homem mais gato da face da terra estava me olhando. Antes que eu pudesse me confundir com a cena, ele explicou. Era o entregador da sandália terrível e estava ali porque quando eu vi a coisa colorida desatei a chorar, entrar em um devaneio sobre sereias, mares e argentinas, até desmaiar.
Finalmente encontrei uma maneira de não me misturar a determinado tipo de gente, seguindo assim, os ensinamentos de papai ("padrasto" tem uma conotação tão forte... tão séria e desconfortável...), como qualquer moça deveria fazer. Uma semana depois nos mudamos para Fernando de Noronha, de onde administrávamos a fabricação de sandálias grotescas com “a cores da estação” - sim, ao sobreviver ao porre e ao desmaio, entendi que aquilo era um sinal divino, que aquelas sandálias horrorosas seriam minha salvação... tudo o que eu tinha que fazer era torna-las mais coloridas e brilhantes e usar o entregador como garoto-propaganda. Ideia genial. A cada mês ou dois, publico um anúncio em jornais e sites de conteúdo duvidoso perguntando o paradeiro da cigana colombiana, ofertando a recompensa de uma linha incrível de sandálias fantásticas

A Vaga

       Nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo... Repetia a si como um mantra pra salvação eterna, pra danação eterna. As cartas do baralho cigano haviam mostrado um homem de negócios em seu caminho, sucesso na carreira, uma viagem, dinheiro e paz, num futuro próximo. Havia feito de tudo pra conseguir aquela vaga, que lhe salvaria a vida, as finanças, as hemorróidas, os hematomas, os ossos quebrantados, a pele curtida. Havia feito de tudo pra fugir da existência miserável que perseguia sua sombra, sem sombras de dúvida. E agora, José? Drummond não viria pra redimir as coisas, ou pra explicar as moscas que rodeavam suas idéias. As paredes do quarto tão pobremente mobiliado careciam de sentido, as sacolas no chão, espalhadas como praga, tão pouco tinham razão de ser; com os livros deveria limpar a bunda, com as roupas deveria fazer as velas do barco, que teria como base a madeira da estante e do armário. Por que fazia sol ao redor da praça? Por que as outras pessoas conseguiam sorrir? Por que as outras pessoas pareciam confortáveis em sua condição humana? Ao menos pareciam...
       Nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo... Era só uma vaga no mercado de trabalho. Crianças continuavam sendo escravizadas em Dubai, o preço o café continuava a disparar no Rio de Janeiro, bolivianos continuavam a invadir São Paulo, pessoas continuavam a ocupar Wall Street, velhos barrigudos continuavam a peidar, mulheres barrigudas continuavam a parir. Não havia conseguido a vaga, mas e daí? Arranjaria outra, melhor ou pior, e o mundo não se alteraria por isso, a ordem as coisas continuaria a mesma. Por que o desespero, então? Por que a sensação de que a vida, num átimo, havia perdido o sentido, total e completamente, com todas as redundâncias que isso poderia suscitar? Uma pessoa a mais desempregada, uma pessoa a mais fudida, uma pessoa a mais deprimida, uma pessoa a mais concordando com cada vírgula de Sartre. E daí?
           Nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo... Tinha um enorme relógio de parede que não parava de tiquetaquear de demonstrar que a vida seguia ininterruptamente com ou sem a maldita vaga com ou sem a porra de um cafuné de um consolo de uma droga anestésica qualquer com ou sem um ou vários deuses e assim os ponteiros despregaram dos números e ficaram içados girando como um ventilador de teto pra depois desferir parábolas aleatórias pelo quarto como se dizendo onipresentes como se o tempo em si fosse o único deus existente como se as mazelas daquela forma de vida encolhida “humilhada e ofendida” por causa de uma merdinha de vaga significassem poeira estrelar lixo espacial prestes a se perder e a vagar pela eternidade a esmo como se o fato de não ter conseguido uma porra de uma vaga pudesse gerar uma marca de Caim amaldiçoando cada tentativa futura de acerto cada tentativa furtiva de progresso como se aquela vaga imbecil não fosse a coisa mais importante na vida daquele ser humano desprezível e assim os ponteiros seguiam zombado daquilo tudo zumbindo com os acordes de metal que tentavam acalmar o ambiente tenso pesado estéril.

Nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo... Sentia uma dor física, queria que não houvesse ninguém por perto, mas o quarto estava cheio de ponteiros abusivos, de pessoas queridas, de fantasmas, de inimigos, de familiares, de amigos que te dão tapas na cara, de amigos que te expulsam de casa sem mais nem por quê. Resolveu que seria melhor ler alguma coisa pra se acalmar, mas toda aquela água no rosto deixava a visão turva. Saiu, então, para caminhar, ainda que fosse preciso fazer uso da velha bengala, guardada a sete chaves em sua memória. Pela rua havia tanta gente... tanta gente feliz... tanta gente vivendo com ou sem uma importante vaga... Como era possível aquelas pessoas não reconhecerem uma alma aflita e inquieta? Como era possível ninguém distinguir a angústia insuportável, explícita nas chagas sangrentas que pululavam dos braços frouxos? Como ninguém deteve aquele anjo caído?

      Nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo, nãoéofimdomundo... Repetiria essas merdas de palavras até o fim dos tempos, se necessário. Até que parasse de doer, até que parasse de chorar, até que elas também perdessem o sentido na hecatombe psicodélica que se afigurava na fumaça dos cigarros alheios, até que tivesse início uma existência automática, como a descrita por Huxely, até que lhe dessem a pílula vermelha, até que encontrasse o coelho branco idiota novamente, pra lhe cuspir na cara.

Maldita vaga.

Chove Muito

Saí de casa comento uma maça verde e pensando sobre meu colchão. Afixar moradia é coisa seria, mas juntar moveis é pior. E se no próximo semestre eu quiser me mudar pra Amazonia? E se eu for viajar sem data pra voltar? O que eu vou fazer com uma cama? Meus livros e estantes cabem no porta-malas; minhas roupas (todas) e meus sapatos (todos) cabem em uma mochila, trilhas e rumos 75 litros. E então?! E então?!


A questão não é quanto eu vou gastar comprando uma cama, mas sim o trabalho que terei para me livrar dela se eu resolver me mudar para uma casa na árvore. Entretanto, se eu continuar morando aqui, onde sempre é setembro, como vou passar um, dois, até três (!) anos dormindo no chão; "só, só, somente só". Sim, houvesse alguém para compartilhar o conforto ortopédico, meus problemas seriam outros que não crises existenciais geradas a partir da possibilidade de noites mal dormidas em benefício de uma liberdade que eu nem sei o que significa. Sem móveis sou livre para fazer duas ou três malas e partir para onde quiser. Com móveis tenho a desculpa para me empanturrar de sexo, assim, casualmente.


Afinal, se eu compro a maldita cama, vou querer preenche-la com algo que vai além do meu delgado corpo. Todavia é verão. Isso significa que com a cama devidamente preenchida, sentirei mais calor, nessa cidade onde quase sempre é janeiro. Onde isso me leva? À felicidade de mais um crediário nas Casas Bahia. Sim, porque então um ar-conicionado será condição sine qua non para existir.


Esse é o tipo de sinuca que o sujeito pensa "cara, se deus existe, ele deveria fazer algo de útil e decidir por mim". Mas uma sentença com as categorias 'decisão' e 'deus' é pauta para outro tipo de crise existencial...


Você promete que compra minha cama depois?

Bônus da Vivo

Meu bem, vou pra Índia em maio dep
...

Não isso não tem nada a ver com a gente

...

Eu me importo sim com você

...

É que eu tenho andado muito introspect

...

Foram muitas perdas que me deixaram perdido e agor

...

É importante pra mim sair um pouco do depar

...

Não chora meu amor, eu

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Amo sim você é que não pode esperar que eu ponha meu amor próprio no saco e viva em função de um relacionamento por melhor que ele seja e

...

Eu tenho que cuidar da minha vida e também quero ficar um pouco soz

...

Eu não quero terminar nada so quero um tempo pr

...

Eu não to comendo vagabunda nenhuma porra

...

Porque você simplesmente não consegue confiar em mim

...

Meu deus me explica como eu consegui passar quatro anos da minha vida convivendo e comendo uma mulher assim porra me deixa falar eu

...

É eu vou sozinho não da pra você largar o emprego no meio do

...

Eu não vou ficar muito tempo só uns meses é só o tempo de locali

...

Eu preciso repensar umas coisas na minh

...

Ai porra também não adianta eu gostar amar ou sei lá o que se for para viver em função de alguém e esquecer de mim mesmo porra o meu trab

...

Filosofia filosofia filosofia você não entende porra nenhuma eu não consigo nem

...

Eu não consigo nem conversar com você porque você distorce a porra toda e o pior é que

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Caralho você sempre foi assim nunca consegue entender porra nenhuma do que eu falo não importa se o assunto é futebol receita de bolo sexo

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Pois é nem de sexo você consegue falar porque qualquer merda que eu falo eu tenho que explicar porque você deve ter comprado a porra do diploma de pedagogia puta que pariu

...

Ah e é assim que você expressa toda essa porra de amor dessa maneira egoísta e mesquinha caralho parece que nunca leu um poema na vida eu não quero terminar merda de namo

...

Desde quando essa porra é casamento se a gente nem mora jun

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Vai se foder e fica com a porra daquele entregador de pizza quer te comer de qualquer jeito ele não vai querer um tempo pra pensar na vida ele não deve tá cheio de merda no trabalho porque acham que ele é viado e tá comendo o chefe dele e não imagino que três pessoas da equipe dele tenham sido demitidas e ele provavelmente não tá neurotico achando que vai ser a próxima vítima caso não comece a realmente comer o cú do proprio chefe ele não vai querer aproveitar a porra do dinheiro do departamento pra investir na porra do doutorado pra ir fazer a porra da pesquisa na puta que pariu ele cert

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Que merda você achou que eu fosse fazer na Índia

...

Agora quem não quer falar sou eu olha para de chorar eu tenho que desligar

...

Vou trocar minha passagem e ai a gente conversa depois com mais calma e de repente eu

...

...

...

...

Ca-ra-lho talvez eu consiga um vôo pra amanha ou pra Jamaica