Saí de casa comento uma maça verde e pensando sobre meu
colchão. Afixar moradia é coisa seria, mas juntar moveis é pior. E se no próximo
semestre eu quiser me mudar pra Amazonia? E se eu for viajar sem data pra
voltar? O que eu vou fazer com uma cama? Meus livros e estantes cabem no
porta-malas; minhas roupas (todas) e meus sapatos (todos) cabem em uma mochila,
trilhas e rumos 75 litros. E então?! E então?!
A questão não é quanto eu vou gastar comprando uma cama,
mas sim o trabalho que terei para me livrar dela se eu resolver me mudar para
uma casa na árvore. Entretanto, se eu continuar morando aqui, onde sempre é
setembro, como vou passar um, dois, até três (!) anos dormindo no chão; "só, só,
somente só". Sim, houvesse alguém para compartilhar o conforto ortopédico, meus
problemas seriam outros que não crises existenciais geradas a partir da
possibilidade de noites mal dormidas em benefício de uma liberdade que eu nem
sei o que significa. Sem móveis sou livre para fazer duas ou três malas e partir
para onde quiser. Com móveis tenho a desculpa para me empanturrar de sexo,
assim, casualmente.
Afinal, se eu compro a maldita cama, vou querer
preenche-la com algo que vai além do meu delgado corpo. Todavia é verão. Isso
significa que com a cama devidamente preenchida, sentirei mais calor, nessa
cidade onde quase sempre é janeiro. Onde isso me leva? À felicidade de mais um
crediário nas Casas Bahia. Sim, porque então um ar-conicionado será condição
sine qua non
para existir.
Esse é o tipo de sinuca que o sujeito pensa "cara, se
deus existe, ele deveria fazer algo de útil e decidir por mim". Mas uma sentença
com as categorias 'decisão' e 'deus' é pauta para outro tipo de crise
existencial...
Você promete que compra minha cama depois?
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